Estabelecer laços sociais entre alunos é essencial para o desenvolvimento emocional, a elevação da autoestima e a criação de um ambiente escolar mais acolhedor e saudável. Dados do relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) indicam que aqueles que se sentem aceitos tendem a demonstrar maior motivação para aprender. Nesse sentido, Ivyna Soares, professora de Linguagens e facilitadora do programa de educação socioemocional Líder em Mim, destaca a relevância das conexões sociais na infância e como as instituições de ensino podem fomentá-las efetivamente.
Segundo Ivyna, esses vínculos sociais proporcionam segurança emocional às crianças. “Quando um estudante se sente respeitado e parte de um grupo, ele desenvolve uma estabilidade emocional mais robusta, aprende a lidar melhor com frustrações e constrói uma autoimagem mais positiva”, afirma a educadora. Além disso, relacionamentos saudáveis entre amigos contribuem para uma maior aceitação, o que fortalece a autoconfiança e a determinação individual.
A escola desempenha um papel crucial na promoção de interações interpessoais saudáveis. A educadora ressalta que atividades cooperativas são fundamentais para estimular esses laços, valorizando o trabalho em equipe e incentivando a escuta ativa entre todos os envolvidos. A promoção da resolução pacífica de conflitos e o ensino explícito de habilidades socioemocionais também são formas eficazes de cultivar conexões entre os alunos.
Programas como o Líder em Mim exemplificam essa abordagem ao enfatizar a construção da identidade, o protagonismo dos alunos e a valorização das habilidades individuais. Isso resulta em estudantes mais engajados, confiantes e prontos para enfrentar desafios sabendo que não estão sozinhos. Ivyna observa que um aluno que se sente seguro emocionalmente tem seu cérebro mais disponível para a aprendizagem, impactando positivamente na colaboração, na redução de conflitos e na persistência diante das dificuldades.
No entanto, alguns jovens podem enfrentar dificuldades na formação de relações interpessoais por diversas razões. Ivyna alerta os educadores para ficarem atentos aos sinais de isolamento social: recusa frequente em participar de atividades coletivas, permanência isolada durante os intervalos, mudanças abruptas no comportamento, queda repentina no desempenho acadêmico e resistência excessiva à fala em público.
Para fomentar vínculos sociais dentro da sala de aula, a educadora sugere cinco estratégias eficazes:
- Defina regras coletivas: ao estabelecer normas em conjunto com os alunos, o senso de responsabilidade social é ampliado;
- Promova trabalhos em duplas ou grupos rotativos: essa prática evita a formação de grupos fixos e estimula a comunicação;
- Realize círculos semanais de diálogo: esse espaço seguro permite que os jovens expressem suas emoções;
- Reconheça publicamente atos de gentileza: o reforço positivo ajuda a consolidar comportamentos pró-sociais;
- Desenvolva projetos colaborativos com objetivos comuns: ter metas compartilhadas faz com que os adolescentes se concentrem no coletivo.
Ivyna conclui que após implementar essas sugestões, estudantes com relações positivas na escola tendem a desenvolver inteligência emocional ao longo do tempo. Isso resulta em habilidades aprimoradas para resolver conflitos, relações interpessoais saudáveis na vida adulta, além de maior autonomia e responsabilidade. “Uma escola que valoriza as relações está formando cidadãos mais conscientes e preparados emocionalmente para enfrentar os desafios da vida”, reflete a professora.
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