Na manhã desta quinta-feira (16), mães de alunos da educação infantil do novo Centro de Educação Básica da Universidade Estadual de Feira de Santana (CEB-Uefs), localizado em Feira de Santana, se reuniram para solicitar melhorias na infraestrutura da escola e maior segurança para as crianças. A unidade, que anteriormente estava situada no Centro Social Urbano (CSU) no bairro Cidade Nova, foi recentemente transferida para um novo complexo inaugurado em maio deste ano, com capacidade para atender 720 estudantes do grupo 4 até o 9º ano do ensino fundamental.
Segundo as mães entrevistadas, a abertura do novo prédio é resultado de uma demanda antiga levantada por pais e responsáveis. Contudo, elas afirmam que o local ainda carece de adaptações que garantam mais segurança e conforto às crianças dos níveis iniciais.
Natália Santos, mãe de uma aluna, expressou sua satisfação com a aparência da escola, mas apontou preocupações em relação à segurança. “O colégio é bonito, mas as britas nas áreas externas podem provocar acidentes”, comentou.
Ela relembrou um incidente anterior envolvendo sua filha: “Ela já teve um problema com uma pedra no antigo CEB. Sendo autista, exige cuidados especiais e não deveria haver brita perto das crianças pequenas. As escadas precisam ter portões de segurança. Estamos pedindo apenas o básico. Como as crianças poderão acessar o restaurante estudantil sem adaptações para a chuva? Se chover, como elas chegarão lá? Precisamos considerar esses detalhes que são essenciais para a melhoria da comunidade escolar”, enfatizou.
Fabrícia Santiago também elogiou a nova instalação, mas ressaltou que a construção não foi adequada para os alunos dos grupos 4 e 5. “Essas crianças ainda necessitam de cuidados especiais. Fiquei preocupada ao perceber que existem riscos que precisam ser corrigidos e que foram discutidos antes da mudança, mas não implementados pela direção”, lamentou.
Falta de mobilidade adequada nos espaços
Joelma Junqueira destacou que a falta de segurança pode afetar também os alunos mais velhos com dificuldades de mobilidade. “Embora tenhamos falado sobre as crianças menores, mesmo os maiores enfrentariam problemas em uma escola com britas, tornando impossível para uma criança cadeirante ou com dificuldades se locomover. A arquitetura hostil deve ser combatida nos espaços públicos e as britas representam esse tipo de ambiente adverso. Existem leis que protegem tanto crianças quanto adultos contra quedas e acidentes em áreas comuns”, observou.
A entrevistada ainda acrescentou que o uso de britas contribui para aumentar a sensação térmica em dias ensolarados: “O espaço externo não ajuda na climatização. Estamos na Bahia semiárida e essa área não possui árvores. Como essas crianças poderão brincar em um local totalmente exposto ao sol? O calor intenso das britas impede que elas explorem e brinquem adequadamente”, argumentou.
Michelle Freitas, outra mãe presente na manifestação, também destacou a necessidade de adaptações nos banheiros, além das escadas sem proteção: “Os vasos sanitários não foram adaptados para os pequenos de quatro anos. O trajeto até as salas é muito perigoso; as crianças menores estão localizadas bem em frente às escadas desprotegidas, o que aumenta o risco de acidentes. Pedimos que até essas questões sejam resolvidas, nossas crianças retornem ao prédio antigo até que tudo esteja seguro novamente.”
Irlanne Figueiredo afirmou que há uma falta significativa de supervisão nas áreas internas da escola: “Existem vários acessos atrás do refeitório e eu já vi duas escadas pelas quais as crianças podem subir sozinhas. Além disso, notamos a escassez de pessoal supervisionando as crianças; na sala há apenas uma professora e uma cuidadora para cerca de 14 ou 15 alunos. A escola atende tanto adolescentes quanto crianças pequenas, sendo que esses últimos compartilham banheiros com os mais velhos sem controle adequado. Com várias áreas abertas e sem grades, os pequenos têm fácil acesso a locais perigosos como a BR”, desabafou.
Mudanças podem levar tempo
A presidente do Sindicato dos Técnicos da Universidade Estadual de Feira de Santana (Sintest), Daiane Alcântara, reconheceu que as preocupações apresentadas pelos pais são válidas, porém alertou sobre a possibilidade de demoras nas mudanças necessárias.
“Esse novo prédio é resultado também da luta dos pais. Há mais de 20 anos buscamos trazer os alunos do CSU — onde as condições eram precárias — para aqui na Uefs. Celebramos essa conquista; no entanto, após as observações feitas hoje, realmente percebemos que o espaço não estava preparado adequadamente para receber essa faixa etária específica”, explicou Daiane. Ela acrescentou que existem prazos relacionados à garantia das obras e nem todas as alterações poderão ser feitas rapidamente. Durante a inauguração, ficou claro por parte da reitoria a necessidade dessas adaptações adicionais para garantir maior segurança.
Daiane também informou sobre diálogos em andamento entre o sindicato e a reitoria da Uefs sobre a proposta dos pais em retornar ao edifício antigo até que todas as questões sejam resolvidas: “É um pedido legítimo apresentado ao sindicato e vamos buscar conversar com a administração sobre isso”, finalizou.
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