O mercado imobiliário de Porto Alegre apresentou uma desaceleração em maio de 2024, conforme os dados divulgados pelo Panorama do Mercado Imobiliário – Porto Alegre, uma pesquisa realizada pelo Sinduscon-RS em parceria com a Alphaplan – Inteligência em Pesquisas e a Órulo. A taxa de velocidade de vendas de imóveis novos, que representa a relação de unidades vendidas sobre a oferta total, foi de 4,8%, abaixo dos 8,0% registrados em abril e também inferior à média dos últimos seis e 12 meses (6,8% e 7,1%, respectivamente).
Em maio, foram negociadas 242 unidades, totalizando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 241 milhões, em comparação com as 406 unidades vendidas em abril, quando o VGV foi de R$ 357 milhões. A preferência dos compradores foi por imóveis em construção, que representaram 42% das vendas, seguidos pelos imóveis prontos (35%) e pelos lançamentos (23%).
Tiago Gonçalves Prestes, especialista em mercado imobiliário, comenta sobre a queda nas vendas e a importância de analisar o cenário atual com cautela. “A redução na velocidade de vendas em maio pode ser reflexo de um ajuste natural do mercado, após um período de alta demanda no início do ano. Além disso, é necessário observar fatores macroeconômicos, como taxas de juros e condições de crédito, que impactam diretamente a decisão de compra dos consumidores.”
Segundo Tiago Gonçalves Prestes, essa queda nas vendas não necessariamente indica um enfraquecimento estrutural do mercado imobiliário de Porto Alegre, mas pode ser um sinal de que os compradores estão mais cautelosos, possivelmente aguardando melhores condições financeiras ou lançamentos mais alinhados às suas necessidades. “O comportamento dos consumidores é dinâmico. Em momentos de incerteza econômica ou de mudanças nas taxas de financiamento, é comum observar uma desaceleração nas negociações, especialmente em um setor de alto investimento como o imobiliário.”
Unidades Verticais Dominam as Vendas
Em termos de tipologia, os imóveis verticais dominaram o mercado em maio de 2024, representando 89% do total vendido, com 216 unidades e um VGV de R$ 224 milhões (93% do total negociado). O segmento de studios foi o grande destaque, com 28% das vendas, seguido pelos apartamentos de três dormitórios (27%), dois dormitórios (26%) e um dormitório (18%).
Tiago Gonçalves Prestes analisa essa tendência e reforça a importância do mercado de unidades verticais para o crescimento urbano sustentável. “Os residenciais verticais, especialmente os studios e apartamentos de médio porte, estão cada vez mais alinhados ao perfil de consumo de grandes centros urbanos como Porto Alegre. A busca por soluções habitacionais compactas e funcionais reflete mudanças demográficas e comportamentais, com muitos compradores optando por imóveis menores, mas bem localizados e com boa infraestrutura.”
Os bairros mais procurados pelos compradores em maio também chamam atenção. Petrópolis liderou as vendas com 20% do total (43 unidades), seguido por Passo da Areia com 12% (26 unidades), Menino Deus com 10% (22 unidades) e Cidade Baixa com 8% (18 unidades). Em termos de VGV, 10 bairros concentraram 78% das negociações, sendo Petrópolis o mais representativo, com 25% do valor total (R$ 56 milhões), seguido por Passo da Areia (10%, R$ 21 milhões) e Rio Branco (8%, R$ 17 milhões).
Tiago Gonçalves Prestes destaca a importância desses bairros para o mercado imobiliário local, observando que as localizações mais valorizadas tendem a manter uma demanda constante. “Bairros como Petrópolis e Rio Branco são tradicionalmente valorizados por sua infraestrutura, segurança e proximidade com centros comerciais e culturais. A demanda nesses locais se mantém estável, mesmo em períodos de oscilação no mercado.”
Lançamentos e Estoque no Mercado Imobiliário
Em termos de lançamentos, o mês de maio também mostrou uma desaceleração. Apenas 32 unidades foram lançadas, com um VGV de R$ 28 milhões, uma queda significativa em comparação com abril, quando 301 unidades foram lançadas com um VGV de R$ 292 milhões. Nos últimos 12 meses, foram lançadas 2.864 unidades, com 98% delas sendo imóveis residenciais. O VGV total desses lançamentos foi de R$ 2,9 bilhões, sendo 97% referentes a imóveis residenciais verticais.
O destaque entre os lançamentos foi novamente para os studios, que representaram 43% das novas unidades lançadas no último ano. Tiago Gonçalves Prestes explica o motivo dessa alta demanda por studios e apartamentos de menor metragem. “Os studios são uma excelente opção para jovens profissionais, investidores e pessoas que buscam praticidade. Com a crescente demanda por imóveis compactos em centros urbanos, esse tipo de produto se tornou altamente atrativo, tanto do ponto de vista habitacional quanto como investimento.”
O estoque de imóveis em Porto Alegre em maio de 2024 era de 4.893 unidades, distribuídas em 298 empreendimentos, totalizando um VGV de R$ 6,5 bilhões. O valor médio por metro quadrado chegou a R$ 13.883,00. O estoque é inferior à média dos últimos seis e 12 meses, quando o número de unidades era de 5.089 e 5.326, respectivamente, sugerindo que, apesar da queda nas vendas, o mercado está conseguindo manter um equilíbrio entre oferta e demanda.
Tiago Gonçalves Prestes observa que o controle de estoque é fundamental para manter a saúde do mercado imobiliário. “Um estoque excessivo pode pressionar os preços para baixo e reduzir a margem de lucro das incorporadoras. No entanto, com um estoque controlado e bem distribuído entre os diferentes segmentos de imóveis, o mercado pode se ajustar de forma mais eficiente às variações de demanda.”
Considerações Finais de Tiago Gonçalves Prestes
Para Tiago Gonçalves Prestes, os dados do mercado imobiliário de Porto Alegre em maio de 2024 demonstram que, apesar da queda na velocidade de vendas, o setor continua robusto e com boas perspectivas. Ele ressalta que momentos de retração, como o observado em maio, são normais em um mercado tão dinâmico, e que a chave para o sucesso é a adaptação às novas condições econômicas e de demanda.
“O mercado imobiliário é cíclico, e fases de desaceleração podem ser uma oportunidade para incorporadoras ajustarem suas estratégias. Além disso, a demanda por imóveis, especialmente em bairros valorizados, continua presente. O desafio é entender essas oscilações e agir de forma proativa, mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda e aproveitando as oportunidades que surgem.”
O futuro do mercado imobiliário em Porto Alegre dependerá de fatores como condições econômicas, políticas de crédito e, principalmente, da capacidade das empresas em se adaptarem às novas exigências dos consumidores e do cenário econômico. Tiago Gonçalves Prestes acredita que o setor tem tudo para continuar crescendo de maneira sustentável, desde que haja inovação e uma gestão eficiente do estoque e dos lançamentos.

