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Famílias reclamam da ausência de cuidadores em instituição de ensino público em Feira de Santana

Bahia CotidianoBahia Cotidianojulho 9, 2026 735 Minutes read0

Um grupo de pais de estudantes de uma escola municipal em Feira de Santana organizou um protesto para reivindicar a presença de cuidadores na instituição. Esses profissionais são essenciais para apoiar alunos com deficiência ou necessidades especiais.

A manifestação ocorreu na manhã desta quarta-feira (9), em frente à Escola Municipal José Macário Ataíde, localizada no bairro Conceição II, e recebeu apoio da APLB, o sindicato que representa os educadores municipais na cidade.

Promessas não cumpridas

Em entrevista, várias mães expressaram sua desilusão ao perceber que, após “muitas promessas”, o sistema educacional da cidade ainda enfrenta problemas que prejudicam especialmente um público vulnerável.

“A situação aqui é desesperadora para essas crianças. A falta de cuidadores e a gestão da escola estão aquém do necessário. Não sou só eu que penso assim; outras mães também têm essa percepção. A diretora precisa olhar nossas crianças com mais empatia”, comentou Nilene Bonfim.

A mãe destacou que a dificuldade enfrentada por pais e alunos com necessidades especiais é resultado do descumprimento de promessas feitas pelo ex-candidato a vice-prefeito nas eleições de 2024, Pablo Roberto, que agora ocupa o cargo de secretário de Educação.

“Quando meu filho tem um surto na escola, preciso sair correndo. Sem um auxiliar em sala, tudo se complica. Pablo prometeu melhorias e garantiu que haveria cuidadores para as crianças, mas isso ainda não ocorreu”, relatou outra mãe.

Ela mencionou que seu filho, de 15 anos, apresenta transtorno intelectual moderado e que chegou a se encontrar com o secretário durante a campanha, solicitando ajuda às mães de crianças com necessidades especiais.

“Ele não cumpriu nada do que prometeu. Fala-se muito, mas ficamos na mesma situação. Estou tão sobrecarregada psicologicamente que agora sou eu quem precisa de ajuda médica”, desabafou a mãe.

Função essencial

Os cuidadores desempenham um papel vital ao auxiliar os professores, proporcionando suporte direto aos alunos com necessidades especiais em atividades como locomoção, alimentação e higiene.

No protesto, diversas mães enfatizaram a urgência da presença desses profissionais nas salas de aula para assegurar condições adequadas ao aprendizado das crianças com deficiência.

“Uma sala está urgentemente precisando de cuidadores; apenas um professor não consegue dar conta do trabalho. Precisamos muito desses profissionais para auxiliar as professoras, especialmente no cuidado com crianças deficientes”, afirmou a mãe da pequena Emily Camile.

Paloma também compartilhou sua preocupação à reportagem, comentando que seu filho de cinco anos estuda na unidade e que há cerca de um ano enfrenta uma escassez crítica de profissionais qualificados.

“Eu realmente aprecio essa escola; ela é excelente. No entanto, está faltando professor do quinto ano e cuidadores. Algumas aulas ficaram sem professor e isso impacta negativamente”, declarou a mãe.

Sofrimento em dose dupla

Liliane, mãe do pequeno Enzo Daniel, que tem transtorno do espectro autista (TEA), destacou que as críticas do grupo visavam diretamente a secretaria da Educação e não os professores em sala de aula.

“É imprescindível ter auxiliares nas salas onde há quatro ou cinco meninos autistas. Um único professor não consegue gerir isso sozinho. Crianças maiores misturadas com menores autistas geram situações difíceis; meu filho sofre agressões e não conseguimos resolver porque isso é uma questão governamental”, explicou ela.

“Meu filho aguarda há um ano e meio por apoio psicológico enquanto o prefeito não disponibiliza auxiliares nas escolas. A propaganda diz que as crianças autistas têm direitos assegurados, mas na prática isso não acontece. Os professores não devem ser responsabilizados por controlar todos esses alunos sozinhos; precisamos de mais auxiliares”, insistiu Liliane.

No ato, Liliane voltou a ressaltar as dificuldades enfrentadas pelos professores ao tentar equilibrar o conteúdo pedagógico com as demandas específicas das crianças com necessidades especiais.

“Um professor lidando com quatro ou cinco alunos autistas é inviável. Eles trocaram o professor porque ele parecia exausto; nós entendemos essa pressão. Eu mesma tomo medicação porque ser mãe de uma criança autista também traz seus próprios desafios”, acrescentou Liliane.

Manoely Oliveira revelou que seu filho estuda na unidade há quatro anos e nunca teve um auxiliar dedicado a ele. Ela corroborou que essa ausência afeta tanto os educadores quanto os alunos neurodivergentes.

“Com 24 alunos na sala, o professor não pode se concentrar apenas em um estudante; precisa atender todos igualmente. Meu filho enfrenta dificuldades em ler e escrever devido à falta desse apoio individualizado”, lamentou Manoely.

Críticas à gestão escolar

No decorrer do protesto, algumas mães expressaram insatisfação em relação à postura da diretora da escola. Embora essa opinião não fosse consensual entre todas as participantes, algumas críticas foram direcionadas à liderança da instituição.

No entanto, Jane Freitas, cuja filha não possui necessidades especiais, elogiou a gestão escolar e observou como a falta dos cuidadores impacta negativamente todo o ambiente educacional.

“Embora meu filho não tenha deficiência, percebo situações em que as professoras precisam atender toda uma turma além de dois ou três alunos especiais sem qualquer suporte adicional. Em algumas salas nem estão conseguindo realizar aulas completas devido à escassez desses profissionais”, relatou ela.

“A infraestrutura da escola é boa e os docentes são competentes; porém falta apoio humano qualificado para garantir os direitos dessas crianças conforme estipulado pela lei”, completou Jane.

Luta contínua

A professora Marlede Oliveira, presidente da APLB, salientou durante o ato que a ausência dos cuidadores representa um problema sério. Ela confirmou ainda que a escola tem enfrentado dias sem aulas devido à falta de professores disponíveis.

“Isso é extremamente preocupante porque precisamos efetivamente incluir todos os alunos nas atividades escolares sem comprometer sua educação”, afirmou Marlede sobre a realidade das salas com até oito crianças neurodivergentes presentes ao mesmo tempo. “Apelo ao secretário Pablo Roberto para agir imediatamente.”

“É evidente que ele está ciente da crise educacional atual: carência de professores e cuidadores é uma questão que persiste desde 2024 e já estamos quase no final do ano letivo de 2026”, concluiu Marlede.
“As crianças merecem estar na escola com condições adequadas: professores capacitados e cuidadores disponíveis”, finalizou Marlede.

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Cuidadoreseducaçãoescolafalta de professoresFeira de Santana
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