Uma mulher de 32 anos, moradora do distrito de Humildes, em Feira de Santana, registrou uma denúncia de agressão após ser arrastada por um veículo. O incidente ocorreu quando seu ex-companheiro, que trabalha como caminhoneiro, a segurou pelo braço. A ocorrência foi documentada por agentes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Beatriz Santos Pereira, auxiliar de classe em uma escola particular, compartilhou sua experiência em entrevista ao portal Acorda Cidade. Ela afirmou que a agressão aconteceu no último domingo (25), durante o segundo turno das eleições, na praça do bairro Limoeiro, onde o acusado reside atualmente.
“Entreguei minha filha ao pai às 10h e ele deveria devolvê-la às 19h. Eu planejava justificar meu voto em Humildes e avisar quando retornasse para que ele trouxesse a criança. Por volta das 17h40, ele começou a me enviar mensagens insistindo para entregar a criança”, relatou.
No momento em que recebeu uma ligação do ex-companheiro, Beatriz estava em Humildes para cumprir sua obrigação eleitoral. Após isso, seguiu para limpar a escola onde trabalha, a pedido da diretora. Diante da pressão do homem, ela decidiu ir buscar a filha acompanhada por uma amiga.
“Quando ele me entregou a criança, ela estava no colo da nova companheira dele. Eu me aproximei do carro para ver minha filha, que não conhecia. Tinha acabado de comprar uma bebida e acabei jogando no rosto dela. Peço desculpas por isso; reconheço que errei. Assim que fiz isso, ele me atingiu com um soco no rosto e eu reagi dando um tapa nele. A partir daí começou a troca de empurrões: ele me empurrava e eu tentava empurrá-lo de volta enquanto segurava a criança.”
“Então ele entrou no carro e agarrou minha mão; rapidamente coloquei a criança no chão porque percebi que ele ia acelerar e me arrastar. E foi exatamente o que aconteceu”, descreveu Beatriz.
Nesse momento crítico, ela afirma ter sido puxada pelo asfalto da praça por aproximadamente 50 metros.
“Só consegui parar quando ele passou por um quebra-molas em alta velocidade; o impacto ajudou a me soltar. Gritei pedindo ajuda enquanto minhas unhas se quebravam; havia muitas pessoas na praça mas ninguém interveio. Quando finalmente consegui escapar ao passar pelo quebra-molas, bati a cabeça e ele passou por cima das minhas pernas antes de perceber que eu estava desacordada”, contou.
Conforme Beatriz relatou, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e a levou até o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), onde permaneceu internada por um dia.
“Estou sentindo muita dor e dificuldade para respirar; machuquei minha costela. Estou toda ferida e usando muletas. Quando fui liberada às 22h, havia uma equipe policial lá; eles perguntaram sobre o ocorrido e anotaram meus dados e os dele.”
Solicitação de Medida Protetiva
A auxiliar de classe revelou ainda que pediu uma medida protetiva contra seu ex-companheiro devido à violência doméstica vivenciada durante o relacionamento.
“Apenas desejo que a Justiça seja feita; o que ele fez foi completamente desnecessário. Nem com um animal se faz isso: arrastar uma pessoa no asfalto! Arrancou parte da pele da minha perna. Estou aqui machucada e incapaz de cuidar da minha filha. É doloroso quando ela pede colo e não posso pegá-la; não consigo amamentá-la porque estou toda ferida. Isso está me destruindo emocionalmente, algo que só uma mãe pode compreender. Quero apenas que ele enfrente as consequências dos seus atos.”
Com informações do repórter Ed Santos.
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