Compreender a necessidade de se comunicar com pacientes surdos é essencial para garantir o acesso à saúde, aprimorar diagnósticos e preparar médicos para um atendimento mais inclusivo. Imagine ter que descrever sintomas, entender um diagnóstico ou receber orientações médicas sem a possibilidade de se comunicar de maneira eficaz com o profissional da saúde. Essa é a realidade de milhares de pessoas surdas no Brasil, destacando a relevância da acessibilidade na saúde e a preparação de profissionais qualificados para atender a diferentes públicos.
O Censo 2022 do IBGE revela que existem 14,4 milhões de indivíduos com deficiência no Brasil, sendo aproximadamente 2,6 milhões aqueles que enfrentam dificuldades auditivas, mesmo utilizando aparelhos auditivos. Essa situação evidencia a urgência em expandir as discussões sobre comunicação acessível nos serviços de saúde. Nesse contexto, a Unifan organizou o evento Café com Libras, uma iniciativa desenvolvida pela professora Emanuelle Dantas, que promoveu um espaço para estudantes e profissionais debaterem inclusão, acessibilidade e os desafios enfrentados pela comunidade surda no atendimento à saúde.
No encontro, foram discutidos os obstáculos que ainda barram o acesso da população surda aos serviços de saúde, incluindo as dificuldades de comunicação durante consultas médicas e exames. A inexistência de estratégias acessíveis pode prejudicar o acolhimento e a autonomia dos pacientes, impactando até mesmo a qualidade do atendimento recebido. Para Emanuelle Dantas, a inclusão da Libras na formação médica é crucial para aprofundar a compreensão dos futuros profissionais sobre um cuidado integral em saúde.
“A comunicação é fundamental na prática médica; sem estratégias acessíveis, corremos o risco de comprometer a autonomia e segurança das pessoas surdas”, observa ela. A professora enfatiza que o contato com a Libras durante a graduação ajuda os estudantes a reconhecerem as barreiras comunicacionais que persistem nos serviços de saúde e ressalta a importância da equidade no atendimento.
“Aprender sobre a língua e cultura surda convida os futuros médicos a valorizar o diálogo, respeitar as diferenças e construir relações mais humanizadas. Assim, o ensino da Libras reforça uma abordagem ética sensível às necessidades dos pacientes, promovendo uma assistência mais acolhedora e acessível”, completa.
A Unifan não só fomenta debates sobre inclusão e diversidade, mas também se destaca ao tornar o ensino da Libras um componente obrigatório na formação médica. Isso fortalece a preparação dos alunos para atuar em uma sociedade cada vez mais diversa. Em Feira de Santana, onde pacientes de várias cidades da região buscam atendimento diariamente, formar profissionais capacitados para lidar com diferentes perfis contribui para uma assistência mais inclusiva, segura e humana.
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