Na manhã desta quinta-feira (27), a Câmara Municipal de Feira de Santana promoveu uma audiência pública voltada para discutir o problema do descarte irregular de resíduos sólidos em áreas públicas e terrenos vagos da cidade. O evento contou com a presença de vereadores, do secretário de Serviços Públicos, Justiniano França, além de representantes de associações e profissionais da reciclagem.
Jailton Santos Cardoso, presidente da Associação dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis no bairro Sérgio Carneiro, falou sobre a importância dessa discussão em entrevista ao Acorda Cidade.
“Compreendemos que nossa cidade abriga uma população considerável e um alto potencial de consumo. Isso gera diversas embalagens que podem ser reaproveitadas através da reciclagem. Para resolvermos adequadamente o problema do descarte irregular, é fundamental desenvolver um programa de coleta seletiva aliado à educação ambiental”, afirmou Jailton.
Ele sugeriu que locais como igrejas, escolas e praças públicas poderiam servir como pontos estratégicos para a instalação de estações de coleta seletiva.
“Promover a educação ambiental é essencial para que os cidadãos entendam a importância de separar corretamente seus resíduos ao colocá-los na porta de casa: plástico, vidro, papel e metal devem ser organizados para facilitar o trabalho dos catadores, ajudando assim a remover os detritos da cidade e garantindo a sustentabilidade desses trabalhadores”, acrescentou.
Monitoramento por câmeras
Justiniano França, secretário municipal responsável pelos serviços públicos, enfatizou que sua pasta tem intensificado o controle em áreas onde ocorrem descartes irregulares na cidade.
“Contamos com equipes de fiscalização atuando em diversos pontos da cidade. Também estabelecemos estações temporárias para descarte, facilitando o trabalho dos carroceiros e evitando que eles despejem lixo em terrenos baldios ou canais”, explicou.
O secretário também alertou que os proprietários dos veículos flagrados realizando esses descartes serão responsabilizados com sanções financeiras.
“Esses infratores são notificados e multados. A penalização inicial é de R$ 1 mil. Em caso de reincidência, esse valor sobe para R$ 2 mil e pode chegar até R$ 4 mil. E se continuarem cometendo as infrações, as multas podem ser duplicadas”, informou Justiniano.
Além disso, ele destacou a necessidade urgente de conscientização entre os cidadãos sobre o tema.
“A limpeza pública depende da colaboração dos munícipes. É preocupante ver condomínios contratando carroceiros para descartar resíduos da construção civil; isso acaba gerando mais problemas, pois muitos não têm cuidado ao jogar o lixo”, finalizou.
Um local que merece atenção especial é nas proximidades da feira da Estação Nova, onde são frequentemente descartados restos de materiais de construção e móveis indesejados como sofás e mesas.
“Temos o programa Bota Fora, onde organizamos mutirões para recolher bens móveis como sofás e eletrodomésticos. Os cidadãos podem solicitar esse serviço pelo aplicativo Fala Feira ou pelo telefone 156. Estamos dispostos a coletar esses itens na porta do cidadão, independentemente das circunstâncias dele”, frisou Justiniano.
Descarte no Anel de Contorno
O vereador Pastor Valdemir, responsável pela convocação da audiência pública, manifestou sua insatisfação com a atitude de alguns moradores que insistem em descartar lixo em locais inadequados.
“É inaceitável que moradores de Feira de Santana pratiquem esse crime ambiental ao jogar lixo em qualquer lugar que considerem apropriado. Precisamos discutir essa questão amplamente para garantir que nossa cidade não seja vista como suja ou negligente com seu meio ambiente”, afirmou Valdemir.
Ele ressaltou o Anel de Contorno como um dos locais mais críticos na cidade quanto a esse problema.
“Ao percorrermos o Anel de Contorno, encontramos móveis velhos como camas e sofás jogados ao longo das vias. A Prefeitura realiza a retirada desse material regularmente, mas no dia seguinte algumas pessoas retornam ao local para descartar novamente seus lixos sem pensar na limpeza urbana”, criticou.
Valdemir acredita que uma solução eficaz deve envolver três ações principais: campanhas educativas para redução do desperdício, criação de ecopontos e punições mais rigorosas para infratores. “Vejo esse tripé como uma abordagem promissora para resolvermos essa situação”, concluiu o vereador.
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