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Governo federal elabora estratégias para lidar com os impactos do “Super El Niño

Bahia CotidianoBahia Cotidianojunho 18, 2026 35 Minutes read0

O governo federal instituiu uma Sala de Situação Interministerial com o objetivo de desenvolver estratégias para responder e administrar potenciais desastres relacionados ao fenômeno conhecido como “Super El Niño”, que deve impactar várias áreas do Brasil a partir de julho. Esta sala é coordenada pela Casa Civil e conta com a colaboração do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Em uma entrevista concedida ao programa Bom Dia, Ministro, veiculado pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o titular do MIDR, Waldez Góes, detalhou as medidas que estão sendo implementadas para minimizar os efeitos desse fenômeno no Brasil. Ele enfatizou que a nova estrutura visa integrar os esforços de 20 ministérios e outras instituições governamentais.

“O Brasil está constantemente em estado de alerta e mobilizado para oferecer respostas à população”, afirmou Góes.

O fenômeno El Niño é caracterizado por um aumento das temperaturas na superfície do Oceano Pacífico, superando a média em mais de 2ºC, o que afeta o clima global. Meteorologistas alertam que neste ano a intensidade desse aquecimento pode ser ainda mais acentuada.

No território brasileiro, os efeitos do El Niño frequentemente incluem:

  • secas severas nas regiões da Amazônia e Nordeste;
  • chuvas intensificadas nas áreas Sul e Sudeste;
  • temperaturas elevadas no Centro-Oeste;
  • aumento potencial das queimadas no Pantanal.

Articulação

A Sala de Situação foi projetada para permitir a ativação de recursos extraordinários e um planejamento colaborativo que envolve Forças Armadas, Polícia Federal, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de estados e municípios.

Órgãos responsáveis pela monitoração, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), fornecem informações técnicas constantemente.

“Dispomos de um plano de contingência ativo, um plano para enfrentar essas situações e uma comunicação contínua com governos locais. Dependendo da gravidade da situação, realizamos reuniões quase diárias. Também nos reunimos semanalmente com representantes locais”, explicou o ministro durante a entrevista.

Além disso, ele ressaltou que a comunicação se estende através dos ministérios que possuem políticas públicas específicas, como Saúde, Povos Indígenas e Direitos Humanos e Cidadania. Esses ministérios mantêm canais diretos com líderes comunitários e atores locais.

Planos de Contingência

A administração federal destacou que a eficácia tecnológica está diretamente ligada à organização por meio de um plano de contingência ativo que seja amplamente compreendido pela população.

“Não é adequado emitir um alerta extremo sem que a comunidade tenha sido previamente informada sobre os serviços públicos disponíveis”, enfatizou Góes.

As lideranças locais — incluindo prefeituras, escolas, igrejas, meios de comunicação regionais e comunicadores — devem assegurar que as rotas de evacuação estejam claramente sinalizadas e que os abrigos públicos estejam prontos antes da ocorrência dos desastres naturais.

“As áreas afetadas já devem ter sinalização indicando onde as pessoas devem se abrigar. É necessário ter apoio institucional não apenas das pessoas, mas também dos recursos materiais disponíveis”, completou o ministro.

Defesa Civil Alerta

Góes também falou sobre a ferramenta Defesa Civil Alerta, que utiliza sistemas de telefonia móvel para enviar alertas em situações emergenciais, visando prevenir e reduzir os efeitos dos desastres naturais.

Esse sistema opera sem depender do cadastramento prévio dos cidadãos ou do pagamento das contas telefônicas. “Em áreas em risco ou diante da iminência de eventos adversos, utilizamos o Defesa Civil Alerta para comunicar à população”, explicou o ministro.

A responsabilidade pelo conteúdo dos alertas recai sobre as defesas civis estaduais e municipais, sendo exibidos diretamente nas telas dos smartphones.

“Os celulares das pessoas vão vibrar. Mesmo se estiverem assistindo a vídeos no YouTube, receberão os avisos. Não precisa haver pré-cadastro ou conta paga para receber as mensagens”, garantiu Góes.

A classificação técnica definida pela Defesa Civil sobre eventos climáticos varia conforme a gravidade e os riscos associados às ocorrências naturais extremas como enchentes e deslizamentos. As categorias são:

  • alerta severo: serve como notificação inicial importante quando há tempo suficiente para que as pessoas tomem precauções e se preparem para evacuar se as condições piorarem;
  • alerta extremo: determina evacuação imediata da área em risco direcionando as pessoas aos abrigos mais próximos.
  • No decorrer da entrevista em emissoras radiofônicas, o ministro esclareceu que o uso dessa ferramenta deve seguir critérios rigorosos para evitar sua banalização.

“O sistema Defesa Civil Alerta deve ser utilizado apenas em situações extremamente específicas. Sua utilização não pode se tornar trivial”, reiterou ele.

De acordo com Góes, essa tecnologia complementa outros meios existentes como mensagens SMS da Defesa Civil ou avisos automáticos nas TVs por assinatura durante programações normais.

Cultura do Risco

Por último, o ministro convocou tanto a sociedade civil quanto entidades públicas para promover uma cultura do risco no Brasil. Este esforço conjunto requer atuação coordenada entre o setor público e privado além da conscientização dos cidadãos.

A visão sobre riscos relacionados a desastres naturais precisa ser antecipatória através da integração entre níveis local, regional e nacional para atenuar os impactos causados por eventos extremos devido à imprevisibilidade das mudanças climáticas no país.

Dentre as ações práticas sugeridas para fomentar essa mentalidade está a realização periódica de simulações de evacuação nas comunidades locais mais vulneráveis ao risco.

“Os municípios localizados em áreas mais suscetíveis devem conduzir simulações junto à comunidade para criar uma cultura proativa em relação ao risco. Se passarem dez anos sem incidentes significativos é ótimo! Mas se ocorrerem problemas no futuro, todos já estarão familiarizados com os protocolos”, declarou Góes.

Ele acrescentou ainda que quando um alerta é emitido pela defesa civil na tela do celular — seja ele severo ou extremo — deve haver uma resposta automática das pessoas buscando abrigo seguro.

“Quando uma autoridade faz um alerta, é fundamental respeitar essa orientação. Para isso acontecer, os cidadãos precisam conhecer bem esses procedimentos e participar ativamente”, finalizou o ministro.

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