Entre o sutil sopro que forma uma bolha e a força silenciosa das marés que podem nos afogar, existe um espaço — é exatamente nesse espaço que habita Entre Bolhas e Marés, o mais recente livro de crônicas da escritora e jornalista Fernanda Carvalho. A obra explora as complexidades da vida da mulher contemporânea, alternando entre momentos em que se sente leve, quase etérea como uma bolha de sabão que reflete um mundo colorido, e aqueles em que se vê presa a correntes invisíveis, afundando sob o peso de expectativas, obrigações e silêncios que são mais pesados do que deveriam.
O novo trabalho da autora baiana será lançado no estande da Editora Arpillera (D13 Asa B) no dia 17 de abril, às 19h, durante a Bienal do Livro da Bahia. “Para mim, a literatura é um respiro. É um espaço para enfrentar os sufocamentos diários, processar conflitos internos e me reinventar para seguir em frente com mais leveza. Nesse exercício de expressão e liberdade, muitas mulheres conseguem se enxergar e se reconhecer nas crônicas que escrevo”, explica Fernanda.
A cada crônica apresentada, há um suspiro — ou uma sensação de quase afogamento. A autora narra os momentos em que tudo parece leve demais para ser verdade e aqueles em que falta ar mesmo quando os pulmões estão cheios. Ela discorre sobre escolhas fugazes, identidades que se expandem ou se quebram, além de laços afetivos que sustentam, elevam ou causam angústia e nos fazem submergir. “O movimento de contração e expansão na vida possui uma poética desafiadora. Existe beleza na superfície, mas é nas profundezas que ela se revela por completo”, observa.
Com um total de 128 páginas, Entre Bolhas e Marés apresenta 24 crônicas publicadas desde o lançamento do seu livro anterior nos portais BAdeValor e Correio*, onde atua atualmente. Os temas abordados incluem maternidade, as dificuldades relacionadas à criação de filhos atípicos, a responsabilidade de cuidar dos filhos enquanto apoia os pais, luto e a relação redentora com a arte. “A leitura propõe um convite ao mergulho — mesmo quando não sabemos nadar — e à contemplação dos momentos íntimos e mágicos em que simplesmente transcendemos”, define a escritora.
Produzido com o cuidado característico da Editora Arpillera, Entre Bolhas e Marés resulta de um processo artesanal pensado em cada detalhe — desde o texto até a materialidade do livro. A obra foi criada com sensibilidade e presença, refletindo a delicadeza de quem sopra uma bolha desejando que ela permaneça mais um instante flutuando no ar. Cada exemplar traz esse toque humano, imperfeito e belo que torna a leitura ainda mais íntima. Assim como uma bolha, a mulher contemporânea navega entre diversos papéis, desejos e urgências. E como o mar, possui dentro de si uma força indomável capaz de acalmar, acolher ou até mesmo engolir. “Entre Bolhas e Marés surge de uma bela fusão entre a escrita sensível de Fernanda e o artesanato da Arpillera. Sempre buscamos captar a essência do texto ao considerar os materiais e intervenções mais adequados. Para esta obra, optamos por um papel com partículas azuis para combinar com a leveza líquida do livro; além disso, fizemos um recorte do rosto na capa para destacar a figura feminina. Este é um livro onde texto e materialidade se encontram na delicadeza”, comenta Yara Fers, cofundadora da Editora Arpillera.
Quem é a autora?
Fernanda Carvalho é escritora, jornalista e cronista. O desejo pela publicação de seu primeiro livro surgiu durante sua gestação e ganhou forma com A Luz da Maternidade – Relatos de Parto sem Dor conduzidos por Gerson de Barros Mascarenhas (Editora Inverso, 2022). Sua estreia no mundo literário representou um marco significativo ao permitir que sua escrita técnica abrisse espaço para uma narrativa mais sensível e pessoal. Ela já escreveu para o BAdeValor e atualmente é cronista do Correio*. Seus textos emergem do silêncio das experiências pessoais e estabelecem identificação com suas leitoras. Além disso, Fernanda tem se dedicado à Biblioterapia ao criar projetos que utilizam a literatura como ferramenta para cuidado emocional, escuta ativa e transformação social; um deles recebeu aprovação pela Lei Rouanet reafirmando o poder transformador das palavras.
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