“O melhor ansiolítico para o jornalismo é a apuração.” A frase é do professor Washington José de Souza Filho, diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), e resume o espírito do Workshop “De olho na segurança – O papel da mídia na cobertura segura das ações de Segurança Pública”, realizado nesta quinta (26) e sexta-feira (27), em Salvador.
O repórter do setor policial do Acorda Cidade, Ed Santos, participa da formação, que reúne profissionais de várias regiões da Bahia para debater ética, responsabilidade social e segurança na cobertura policial. Na oportunidade, ele conversou com palestrantes e organizadores sobre a importância do diálogo entre imprensa e forças de segurança.
Comunicação além da busca pela informação
Promovido pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Academia de Polícia Civil (Acadepol), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) e outras instituições, o encontro propõe uma reflexão sobre o papel social da mídia diante dos desafios da segurança pública.
Para Washington, a relação entre imprensa e forças de segurança precisa ir além da troca de informações institucionais. Para além de noticiar é preciso informar.
“A relação entre meios de comunicação e agentes da Força Pública ela não se dá apenas por uma interação em função da busca de informação e a demonstração de serviços realizados mas pela capacidade de entendimento”, afirmou.
Ele também destacou que o jornalismo não deve estimular a violência, mas ajudar a sociedade a compreendê-la.
Segurança pública e desigualdade
Ao abordar as desigualdades, o professor chamou atenção para quem mais sofre com a insegurança. Vale reforçar que em muitos veículos, são essas pessoas vulneráveis que são usadas grotescamente como vitrine da violência.
“Porque uma coisa é você trabalhar com a necessidade de atender o que é uma demanda da sociedade quanto à preocupação com a segurança. Isso é uma realidade reconhecida em dados, em pesquisa, de que a segurança é um fenômeno que incomoda muita gente. Mas na verdade não incomoda muita gente, incomoda uma parcela da sociedade que é a parcela que está exposta. E muitas vezes essa parcela que está exposta, que são as pessoas pretas, pobres e boa parte delas são mulheres, elas não têm acesso à proteção que as parcelas de outro padrão conseguem”, declarou.
E reforçou: “Se os meios de comunicação não entenderem que eles falam para todos, não falam exclusivamente para determinada parcela que é beneficiária, ele não vai cumprir a função dele.”
Direito à informação e compromisso social: não existe uma coisa sem a outra
O professor também reforçou que não existe de maneira alguma, o jornalista considerar que o trabalho dele está desprovido de qualquer relação com o compromisso social. Para ele, a apuração é a principal ferramenta para garantir qualidade e responsabilidade na divulgação de notícias.
“É isso que permite uma compreensão de que maneira eles se desenvolvem. E aí, talvez, a apuração sirva do que ela é, inclusive. Ela é um roteiro, é uma bússola para você poder desenvolver as informações”, afirmou.
E completou, ao falar sobre a busca pelo chamado “furo” jornalístico.
“Divulgar a informação em primeira mão é intrínseca à condição do jornalista. Mas evidentemente você não pode divulgar o que é algo que é um furo se é que você esteja amparado em uma boa apuração. Então não é evitar a ansiedade. O melhor ansiolítico para o jornalismo é a apuração”, declarou ao Acorda Cidade.
Formação de profissionais da segurança pública
O diretor da Academia de Polícia Civil, delegado Jackson Carvalho da Silva, também conversou com o Acorda Cidade e destacou que a Acadepol tem ampliado sua visão de formação.
Segundo ele, a Academia oferece diversas qualificações, não apenas a formação inicial do policial, mas também cursos ao longo da carreira que incluem áreas como investigação, tecnologia e a proteção de direitos de pessoas em situação de vulnerabilidade, como crianças, mulheres vítimas da violência e casos de intolerância religiosa. A proposta é formar mais que policiais.
“A academia de polícia, ela forma não policiais, a visão hoje, ela forma profissionais da segurança pública, porque se eu disser que ela forma tão somente policial a gente fica preso às nossas atribuições. E hoje o policial tem que ter essa visão macro, essa visão sistêmica de todo o campo da segurança pública”, explicou.
Transparência, responsabilidade e segurança do jornalista
De acordo com o delegado, o evento é baseado em três pilares: transparência e clareza na informação, responsabilidade, tanto administrativa quanto criminal, e a segurança do profissional de imprensa que realiza a cobertura das ações policiais. Ele alertou para riscos em coberturas policiais.
“Por exemplo, durante uma cobertura, o profissional de comunicação se coloca na linha de tiro. Ou, por exemplo, ele interfere numa negociação com refém, no gerenciamento de crise, sem ter a devida capacidade e competência para atuar naquela situação”, alertou.
Cooperação e novos protocolos
Mediador do workshop, Edmundo Filho, coordenador da Ascom do Estado, destacou que a iniciativa fortalece a troca de experiências e contribui para aperfeiçoar a atuação profissional e encontrar soluções para desafios como a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados, garantindo transparência sem descumprir limites legais.
“O profissional precisa primeiro conhecer que existe um instrumento de regulação do ponto de vista jurídico legal que a assessoria não pode transgredir, não pode de algum modo ultrapassar e que em algum momento pode ser confundido com censura ou com a possibilidade de dificultar ou negar aquela informação ou acesso informação, então esse é um dos entraves.”
Segundo Edmundo, o encontro também deve resultar em encaminhamentos e diretrizes para o atendimento à imprensa, inclusive do interior do estado. Ele ressaltou que veículos como o Acorda Cidade exercem papel fundamental na comunicação com municípios e comunidades fora da capital.
Preservação da cena do crime
A jornalista Talita Brito, da assessoria de comunicação do DPT, avaliou o workshop como uma experiência inovadora e necessária para equilibrar a atuação da imprensa e das forças de segurança. Ela trouxe um alerta importante sobre a presença das pessoas em qualquer cena de crime.
Talita destacou que é preciso encontrar um “

