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Conheça Márcio Poncio, o pastor detido pela PF por envolvimento na “Máfia do Cigarro

Bahia CotidianoBahia Cotidianojulho 2, 2026 57 Minutes read0

Nesta quinta-feira (2), o pastor Márcio Poncio foi detido pela Polícia Federal (PF) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. Há também mandados de prisão emitidos contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já se encontrando em regime prisional.

Os mandados de prisão foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a realização de 14 operações de busca e apreensão. Entre os alvos está Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Esta fase da operação investiga transações financeiras ligadas ao jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro”, com implicações envolvendo agentes públicos. Marco Antônio Cabral refuta as acusações feitas contra ele.

A prisão de Poncio ocorreu em um flat localizado na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Ele é pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ganhando notoriedade nas redes sociais como pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, que foi parte da dupla UM44K. Sua família tem estado no centro de diversas controvérsias.

Poncio é alvo de investigações referentes a supostas conexões com a “Máfia do Cigarro”. Adilsinho, identificado como o chefe desse esquema criminoso, já estava preso antes desta nova fase da operação.

Conforme informações fornecidas pela PF, esta etapa visa aprofundar as investigações sobre indícios de lavagem de dinheiro atribuídos ao líder da nova estrutura do jogo do bicho [Adilsinho] e suas potenciais ligações com membros dos poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio de Janeiro.

Enquanto isso, Bacellar será transferido para um presídio federal após já estar detido no Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó.

Além disso, Moraes ordenou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.

A ação faz parte das diretrizes estabelecidas pelo STF no julgamento da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas. Essa decisão determinou que a Polícia Federal investigasse a atuação dos principais grupos criminosos violentos no estado e suas relações com autoridades públicas.

Planilhas

A 5ª fase da Operação Unha e Carne é uma continuação da Operação Fumus, iniciada em junho de 2021, que investigava o monopólio do comércio ilegal de cigarros na região metropolitana do Rio. Naquela ocasião, Adilsinho era um dos focos das investigações, mas não foi encontrado.

Durante essa operação anterior, a PF descobriu planilhas que supostamente registravam “pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade relacionada à lavagem de dinheiro”.

Essas listas despertaram o interesse dos investigadores devido aos possíveis repasses financeiros diretos realizados para políticos no estado do Rio de Janeiro.

Pelo menos 20 políticos estão sendo investigados por supostamente receber mensalmente valores oriundos das atividades ilícitas promovidas por Adilsinho.

Adilsinho foi finalmente preso quase cinco anos depois das primeiras investigações, em fevereiro deste ano, em Cabo Frio. A localização foi confirmada por meio de monitoramento aéreo realizado por drones.

No mês seguinte, o ministro Gilmar Mendes comentou que havia recebido informações de um diretor da Polícia Federal sobre mais de 30 deputados estaduais que estariam recebendo pagamentos mensais provenientes do jogo do bicho.

Mendes revelou: “O presidente da Assembleia está preso. O diretor-geral da PF mencionou que entre 32 ou 34 parlamentares estavam recebendo mesadas.” No entanto, não foram revelados detalhes sobre quando essa conversa ocorreu ou qual diretor específico fez as declarações — atualmente esse cargo é ocupado por Andrei Rodrigues — nem nomes dos deputados envolvidos foram divulgados.

Refletindo sobre a situação política no estado, Mendes expressou sua preocupação: “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser uma justificativa para decisões políticas; contudo deve ser considerado um fator relevante.”

O que dizem os investigados

Nota de Marco Antônio Cabral

“Hoje pela manhã Marco Antônio Cabral recebeu um mandado para busca e apreensão, cumprido sem incidentes e com total cooperação às autoridades.”

“Ele nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro assim como a recepção de valores ilegais.”

“Marco Antônio reafirma seu respeito pelas instituições e se coloca à disposição para esclarecer qualquer dúvida às autoridades competentes.”

As fases anteriores

A Operação Unha e Carne teve quatro etapas entre dezembro de 2025 e maio de 2026. Inicialmente focava em um possível vazamento ilegal de informações sigilosas relacionadas a ações policiais contra uma facção criminosa.

A PF apurou que esses dados comprometiam operações policiais e beneficiavam indivíduos ligados à facção investigada.

A primeira fase começou em dezembro de 2025 com foco no então presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (hoje cassado). Segundo as investigações federais, ele teria vazado informações confidenciais ligadas à Operação Zargun contra o Comando Vermelho (CV), favorecendo Thiego Raimundo de Oliveira Santos (TH Joias), considerado articulador político dessa facção.

Esse vazamento teria permitido a destruição ou ocultação crucial provas necessárias ao andamento das investigações policiais.

Bacellar chegou a ser detido preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes mas foi liberado dias depois após decisão unânime na Alerj — sob certas condições cautelares incluindo uso eletrônico monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A segunda fase ocorreu ainda em dezembro daquele ano aprofundando as apurações relacionadas aos vazamentos. Nesta etapa foi preso preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto (TRF-2).

A investigação suspeita que os vazamentos tenham origem no Judiciário federal onde se acredita que Júdice tenha passado informações para Bacellar que poderiam ter sido repassadas posteriormente para TH Joias.

Mensagens trocadas entre eles foram descobertas durante as investigações indicando uma relação próxima entre ambos sugerindo troca irregular de favores políticos.

A terceira fase foi deflagrada em março de 2026 quando Rodrigo Bacellar foi novamente preso em sua residência em Teresópolis após cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido ao escândalo Ceperj. A prisão se deu após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nessa etapa também foram estabelecidas conexões diretas entre os casos investigados à ADPF 635 indicando que as condutas poderiam prejudicar iniciativas estatais contra o crime organizado no estado fluminense.

A denúncia apresentada pela PGR abrange não apenas Bacellar mas também TH Joias e Macário Júdice Neto apontando indícios claros sobre uma rede institucional protetora ao crime organizado.

No dia 5 de maio daquele ano durante a quarta fase foi detido Thiago Rangel (Avante), acusado por liderar fraudes relacionadas à compra irregular materiais e prestação serviços especialmente na Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc).

A série reportagens exibida pelo RJ2 destacou essas irregularidades; as apurações revelaram direcionamentos nas contratações realizadas nas escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc — uma área sob influência política direta Rangel — favorecendo empresas previamente selecionadas dentro desse esquema fraudulento.

A Máfia do Cigarro

Uma reportagem publicada em 2024 expôs como operava a máfia cigarreira no Rio. As investigações revelaram que sob controle direto Adilsinho estavam ao menos 45 municípios entre os 92 existentes no estado onde apenas cigarros produzidos pela quadrilha eram vendidos; desrespeitar essa norma trazia consequências fatais para os comerciantes locais.

Esse mercado representa bilhões: entre os anos de 2018 a 2023 estima-se segundo dados fornecidos pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec) que o setor relacionado ao cigarro falsificado deixou escapar R$ 10 bilhões em impostos somente no Brasil — dos quais mais R$ 2 bilhões pertenciam ao estado fluminense.

Cigarros da marca Gift já eram comercializados ilegalmente sendo contrabandeados diretamente do Paraguai gerando lucros significativos aos criminosos envolvidos nesse comércio. Para consolidar seu monopólio sobre vendas ilegais a máfia passou também a fabricar cigarros falsificados localmente inicialmente utilizando mão-de-obra paraguaia visando manter qualidade original dos produtos importados;

No entanto atualmente toda produção é realizada por brasileiros; após finalizarem fabricação os cigarros são distribuídos obrigatoriamente aos donos pontos venda locais fazendo fiscalização rigorosa para garantir exclusividade das vendas desses itens fraudulentos nos estabelecimentos comerciais locais!

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