Na última quinta-feira (25), a cidade de Cachoeira, situada no Recôncavo baiano, assumiu simbolicamente o título de capital da Bahia. Essa tradição de transferência temporária ocorre há 19 anos, como uma forma de reconhecer a relevância histórica do município na luta pela Independência do Brasil. Foi em Cachoeira que, em 25 de junho de 1822, os cidadãos iniciaram os primeiros embates contra as tropas portuguesas, que culminariam na emancipação do país em 2 de julho.
O governador Jerônimo Rodrigues, acompanhado pelo vice-governador Geraldo Júnior e pela primeira-dama Tatiana Velloso, que foi agraciada com o título de cidadã cachoeirana, destacou: “Este é meu quarto ano à frente do governo e quatro anos aqui simbolizando essa transferência. É um marco que representa o início da nossa jornada pela Independência do Brasil na Bahia”. Ele também enfatizou a união institucional presente na celebração, que contou com a participação inédita de representantes de outros poderes estaduais.
Bruno Monteiro, secretário da Cultura, elogiou a importância do evento e ressaltou o aumento da visibilidade das festividades: “Estamos ampliando o alcance desses temas no sistema educacional, especialmente através do programa Rotas da Independência da Secretaria de Educação. Cada cidade ligada à Independência recebe atividades cívicas e festivas. O crescente envolvimento das instituições como o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Assembleia Legislativa demonstra a relevância crescente deste episódio para a história da Bahia e do Brasil”, concluiu.
Fábio Batista Pereira, mestre em História pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRN), reforçou que 25 de junho é uma data significativa para a região. “É um dia importante para o povo de Cachoeira e São Félix, mas acima de tudo para todos os habitantes do Recôncavo”, comentou. Ele recordou que foi em Cachoeira que houve a ruptura com Portugal ao aclamar o príncipe regente.
Integração dos Poderes
Pela primeira vez na história, os poderes Judiciário e Legislativo da Bahia realizaram simbolicamente a transferência de suas sedes para Cachoeira. Ivana Bastos, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, celebrou essa integração inédita: “Hoje, a Assembleia se junta ao Tribunal de Justiça e ao Governo do Estado. Os três poderes estão aqui em Cachoeira, reverenciando a força do Recôncavo e deste povo”.
José Rotondano, presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, também participou do evento e sublinhou que essa ação visa estreitar laços entre a instituição e os cidadãos. “O Poder Executivo já realizava essa prática e eu sugeri à presidente da Assembleia Legislativa que nos uníssemos para trazer nossas sedes para Cachoeira em homenagem à história”, afirmou.
No encerramento da Sessão Solene realizada no Anexo da Câmara Municipal, decorado para a ocasião, foi descerrada uma placa marcando a transferência simbólica dos Três Poderes. A cerimônia foi concluída com um hino em homenagem à cidade que desempenhou um papel crucial na expulsão definitiva das tropas portuguesas em 1823.
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