Na manhã desta quinta-feira (24), o Sindicombustíveis Bahia, que representa os proprietários de postos e revendedores de combustíveis no estado, promoveu mais uma edição do projeto intitulado “Sindicato Itinerante – Conversa com o Presidente” em Feira de Santana.
O evento, realizado em um restaurante local, teve como objetivo estreitar laços entre a entidade e os revendedores do interior, além de abrir espaço para debater as principais demandas enfrentadas pelo setor atualmente.
Feira no centro
Glauco Mendes, presidente do Sindicombustíveis Bahia, mencionou ao Acorda Cidade que essa ação foi idealizada após a posse da nova diretoria em março, visando levar o sindicato a diferentes regiões do estado.
De acordo com Glauco, Feira de Santana é crucial para o mercado de combustíveis devido à sua localização vantajosa e relevância econômica. Ele também enfatizou que a diretoria possui dois representantes regionais na cidade.
“Feira de Santana é a segunda maior cidade da Bahia e tem uma grande importância próxima à capital. Ela se localiza em um ponto estratégico que conecta a Bahia ao Nordeste e outros estados”, destacou Glauco.
Efeito colateral da globalização
O presidente do sindicato apontou durante o evento que um dos maiores desafios atuais é a variação nos preços dos combustíveis, afetada por fatores internacionais. Glauco mencionou que o setor está lidando com aumentos constantes, que muitas vezes não são bem compreendidos pelos consumidores.
“Desde fevereiro, devido à guerra, estamos vivenciando uma situação caótica. O preço aumenta toda semana. Um conflito em qualquer parte do mundo reflete diretamente aqui. Estamos torcendo para que aqueles com bom senso consigam resolver essa guerra rapidamente para minimizar os impactos sobre nós”, comentou ele.
Sofrendo na pele
Delson Martins, dono de um posto de combustíveis, também participou do encontro e enfatizou a instabilidade nos preços como uma das principais dificuldades do setor durante entrevista ao Acorda Cidade.
“Ontem mesmo houve flutuação no preço do diesel devido à subvenção. Isso confunde a população, pois nem todos estão acompanhando as notícias constantemente para entender a situação global. Estamos aguardando uma decisão do governo sobre a renovação da subvenção no dia 26. Se for prorrogada, os preços continuarão inalterados”, afirmou Martins.
Por outro lado, Felipe Neri Brito expressou que seu negócio enfrenta atualmente um cenário positivo, porém ressaltou a necessidade de se preparar para as transformações no setor. Ele mencionou que sua empresa está analisando estratégias para se adaptar ao crescimento da venda de veículos elétricos.
“Estamos buscando migrações nas nossas políticas e pretendemos implementar estações de carregamento elétrico em nossos postos para nos adequar ao novo ecossistema que está surgindo”, explicou Brito.
Reforma tributária
Durante o encontro, o advogado tributarista Willer Costa Neto abordou as alterações propostas pela reforma tributária do consumo e seus potenciais impactos sobre os revendedores de combustíveis.
Ele esclareceu que, a partir do próximo ano, haverá uma substituição do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Willer também lembrou que em 2027 iniciará a cobrança do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), acompanhado por uma redução gradual do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do ISS (Imposto sobre Serviços), até completar a transição prevista para 2033.
“Uma das mudanças significativas será a monofasia aplicada ao GNV. Isso é essencial porque atualmente apenas o GNV não está incluído nesse regime monofásico. Isso significa que sua venda é tributada. Os revendedores pagam PIS e Cofins quando comercializam GNV. Essa situação irá mudar”, detalhou o advogado.
Willer destacou ainda que os postos poderão aproveitar créditos de CBS relacionados às aquisições realizadas nas operações.
“Os revendedores que fazem aquisições substanciais poderão obter crédito proporcional ao valor efetivamente recolhido pelo fornecedor”, esclareceu.
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A gasolina vai baixar?
Em relação aos preços dos combustíveis nos postos, o advogado afirmou ainda ser impossível prever os efeitos da reforma no curto prazo. Ele observou que mudanças na tributação não necessariamente levarão ao aumento dos preços dos combustíveis, já que estes também são influenciados por fatores econômicos globais.
“Acredito que no longo prazo a reforma tributária será benéfica para todo o Brasil. Isso não significa que todos os setores serão favorecidos igualmente, mas considero que será positivo para um conjunto maior da sociedade brasileira. Essa reforma era necessária devido às reclamações sobre a complexidade do sistema tributário nacional”, concluiu o tributarista.
Com informações do repórter Paulo José.
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