Na manhã de quinta-feira, dia 3, a Câmara Municipal de Vereadores de Feira de Santana promoveu uma audiência pública em defesa dos direitos dos entregadores e mototaxistas que atuam por meio de aplicativos. O encontro teve como foco discutir as dificuldades enfrentadas pela categoria e propor melhorias nas condições laborais.
Celso Santos, representante do Grupo Profissão Perigo e da Associação Amba, esteve presente na audiência e compartilhou relatos sobre os desafios cotidianos dos trabalhadores, incluindo o temor de ataques de animais, assaltos, agressões, pressões excessivas e a falta de segurança ao transitar pelas ruas da cidade, especialmente à noite.
“A situação é perigosa constantemente e somos uma classe que sofre muito; a cada dia nos cobram mais, enquanto não recebemos nenhum benefício. Atualmente, quem trabalha com motocicleta em Feira de Santana precisa ser quase um ilusionista para conseguir realizar seu trabalho. O trânsito é caótico e as exigências são severas. O poder público nos ignora, só faz cobrar e aplicar multas, especialmente no período noturno. Estamos extremamente expostos a assaltos, principalmente nas sinaleiras do centro”, afirmou.
Ele mencionou um incidente envolvendo um colega que quase teve sua moto roubada na Avenida Getúlio Vargas durante uma tentativa de assalto.
“Se não fosse por uma viatura que apareceu rapidamente, ele teria perdido a moto. A Polícia Militar conseguiu prender os criminosos. Hoje vivemos sob pressão constante: somos acusados de roubo quando um cliente informa o endereço errado ou de receber pagamento duplicado, mas na verdade só queremos o que é justo”, lamentou Celso.
O vereador Pedro Américo, responsável pelo pedido da audiência pública, ressaltou a importância do debate para alertar empresários, cidadãos e autoridades sobre a relevância dos trabalhadores em duas rodas, que oferecem serviços essenciais para a comunidade.
“Estamos lutando intensamente para garantir que essa categoria seja valorizada. Discutimos um projeto de lei que visa regulamentar o transporte e os serviços prestados por aplicativos na cidade. Esse projeto propõe a cobrança de taxas pelo uso das vias públicas e permite que a Secretaria de Mobilidade obtenha dados sobre cada corrida”, explicou.
Segundo o vereador, tal projeto poderia prejudicar o trabalho desses profissionais ao afastar as plataformas do município.
“Consideramos esse projeto inadequado para nossa cidade devido à vulnerabilidade no acesso aos dados pessoais. Além disso, se esse projeto for aprovado, plataformas conhecidas como iFood, Uber e 99 poderão decidir não operar mais em Feira. Isso resultaria na perda da fonte de renda para muitos pais e mães de família apenas por conta dessa proposta tramitando na Câmara Municipal”, alertou.
O vereador expressou seu comprometimento em mobilizar esforços para barrar a aprovação do projeto pelo Poder Executivo.
“Realizamos esta audiência porque acredito que os políticos devem dar voz às categorias afetadas. Contamos com representantes do secretário da Mobilidade, superintendente de trânsito e advogados especializados. Mas o mais importante foi a presença significativa dos trabalhadores que interromperam suas atividades para discutir seus direitos e deveres. Estou confiante de que unidos e fortalecidos eles conquistarão melhorias tanto para eles quanto para toda a sociedade que depende dos mototaxistas e entregadores.”
Com informações do repórter Paulo José.
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