A Serra Catarinense destaca-se como uma das regiões mais peculiares de Santa Catarina, abrangendo cerca de 16.085 km², distribuídos por 18 municípios que fazem parte da Associação dos Municípios da Serra Catarinense (Amures). Essa área representa aproximadamente 17% do total do Estado, o que contribui para a rica diversidade de paisagens, atividades econômicas, culturas e oportunidades presentes na região.
Hoje, essa localidade se consolida como um relevante destino turístico, não se limitando apenas à temporada de inverno. Além do turismo, a Serra Catarinense conta com uma economia variada que inclui agropecuária, fruticultura, indústrias de alimentos e bebidas, silvicultura, setor madeireiro, processamento de celulose, comércio e serviços relacionados ao turismo rural. A região abriga também um patrimônio natural significativo, com campos de altitude, rios, cânions, cachoeiras e matas repletas de araucárias em áreas preservadas, além de vales que compõem uma das mais impressionantes paisagens do Sul do Brasil.
Para entender melhor a amplitude e as distintas identidades que caracterizam a Serra Catarinense, é possível dividir o território em três grandes áreas geográficas e turísticas. Essas divisões não constituem uma organização administrativa formal, mas ajudam a elucidar as particularidades e potencialidades de cada segmento da região.
Região dos Lagos
Localizada na parte mais ao sul da Serra, a Região dos Lagos é composta principalmente pelos municípios de Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul, Capão Alto e Cerro Negro.
A identidade dessa região está intimamente ligada aos grandes lagos formados pela construção de usinas hidrelétricas. Com essa mudança na paisagem surgiram novas oportunidades para o turismo e a economia local através do planejamento do Parque dos Lagos. Este projeto abrange aproximadamente 3.500 km² e foi idealizado com a compreensão de que esses reservatórios poderiam ser convertidos em ativos para o desenvolvimento regional.
Essa área se destaca pela vocação voltada para o turismo na natureza, pesca esportiva, lazer aquático e experiências gastronômicas no campo. Além disso, possui uma significativa produção agrícola e oportunidades para novos investimentos em infraestrutura turística.
A Agência de Desenvolvimento da Região dos Lagos (Adrel) tem trabalhado intensamente nesta área ainda pouco explorada quanto ao seu potencial turístico. Essa região é estratégica para diversificar as ofertas turísticas em Santa Catarina por apresentar cenários distintos dos tradicionais cânions e montanhas altas.
Região Central
No núcleo da Serra Catarinense encontra-se a região central que tem Lages como seu principal polo urbano e econômico. Essa área conecta os municípios de Bocaina do Sul, Correia Pinto, Otacílio Costa, Painel, Palmeira, Ponte Alta e São José do Cerrito.
Lages desempenha um papel crucial como centro regional ao concentrar atividades comerciais, serviços variados, educação e saúde. A cidade atende não só seu próprio município mas também uma vasta região serrana.
Esta região é também conhecida pela força do agronegócio e da pecuária além das indústrias madeireira e silvicultora. A própria trajetória histórica de Lages está profundamente atrelada à atividade tropeira e à criação de gado; elementos que ainda ressoam na cultura local.
Aqui se observa uma importante fusão entre práticas econômicas tradicionais e novas perspectivas. A produção agropecuária coexistindo com indústrias modernas oferece serviços especializados em eventos gastronômicos e turismo experiencial.
Além disso, Lages serve como ponto estratégico para visitantes que desejam explorar vários destinos nas montanhas. O surgimento de novas rotas turísticas reforça essa conectividade; um exemplo disso é a Rota do Cicloturismo da Serra Catarinense – um projeto inicial que promete ligar Lages a localidades como Bocaina do Sul até Painel em um percurso estimado em 600 quilômetros.
Portanto, a região central desempenha um papel vital no desenvolvimento da Serra: ali se encontram força econômica robusta, infraestrutura urbana adequada e bases sólidas para integrar os diversos atrativos turísticos.
Região de Altitude
O setor mais elevado da Serra Catarinense compreende os municípios de Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Rio Rufino, São Joaquim, Urubici e Urupema. Esta área foi responsável por projetar a Serra no cenário nacional devido às suas baixas temperaturas e belas montanhas propícias ao turismo natural.
As cidades de São Joaquim, Urupema e Urubici formam um importante corredor turístico repleto de atrações como a famosa Serra do Rio do Rastro, o Morro da Igreja e trilhas nas montanhas cobertas por neve durante o inverno.
Graças à altitude dessa região também floresceu uma atividade econômica inovadora: a vitivinicultura em altitudes elevadas. Vinícolas locais oferecem experiências enogastronômicas únicas atraindo visitantes interessados não só nas baixas temperaturas mas também em gastronomia regional rica em sabores.
Apontamentos
Pesquisas sobre o turismo na região destacam Urubici, Lages, Urupema,e São Joaquim como os locais mais visitados dentro da Serra Catarinense. Os dados também ressaltam atrações específicas como o Morro da Igreja em Urubici; a Cachoeira que Congela em Urupema; além da renomada Vinícola Villa Francioni localizada em São Joaquim; sem esquecer o Mirante da Serra do Rio do Rastro em Bom Jardim da Serra.
Entretanto,a verdadeira força dessa área reside na capacidade de unir diferentes produtos turísticos criando experiências integradas: frio intenso,natureza exuberante,vinho refinado,gastonomia autêntica,aventure-se pelo ecoturismo ou desfrute das belezas rurais com visitas às propriedades locais.
Serra: turismo o ano inteiro
Essa riqueza revela que a Serra Catarinense deve ser vista não apenas como um destino sazonal voltado ao inverno mas sim como uma potencialidade turística diversificada durante todo o ano. O frio não é seu único atrativo.
A região mostra-se apta para promover atividades turísticas durante todos os meses do ano aproveitando as peculiaridades sazonais. Durante o verão,cachoeiras,trilhas,e áreas rurais tornam-se protagonistas.Nas estações outono as paisagens coloridas atraem visitantes enquanto no inverno,a possibilidade realista da neve coloca a Serra nas atenções nacionais.Durante a primavera,o renascimento das flores expandem as opções disponíveis aos turistas novamente.
Esse leque diversificado liga-se diretamente à economia local.A chegada de turistas movimenta toda uma cadeia produtiva envolvendo desde hotéis,pousadas,e restaurantes até vinícolas ,agricultores locais ,transportadoras ,guias ,comerciantes ,artesãos ,eventos culturais entre outros prestadores de serviços.E os dados territoriais confirmam esse potencial imenso.
O grande desafio –e ao mesmo tempo,a grande chance– está em fazer com que essas três áreas sejam reconhecidas como partes integrantes de um único território turístico-econômico coeso.
Juntas essas três dimensões oferecem muito mais além das deslumbrantes paisagens.Formam um espaço rico em produção empreendedora,cultural,inovação,hospitalidade,e promissoras oportunidades financeiras.
Assim sendo,a Serra Catarinense possui todos os elementos necessários para expandir sua visibilidade no panorama turístico nacional: território vasto,idiossincrasia forte,natureza generosa,cultura rica,gastronomia diferenciada,e uma população dinâmica capaz transformar as características regionais em chances reais para desenvolvimento econômico sustentável.
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